terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Se você decidiu iniciar a sua prática de yoga em casa, não
se esqueça dos exercícios iniciais. Tendemos a pular o “aquecimento”, pois
parecem exercícios simples, de menor importância.
Não são. Além de preparar as
articulações e músculos para uma prática segura, preparam a sua mente a
desligar-se das preocupações do dia a dia e a acessar um nível mais profundo de
consciência.
Ao acordar, ainda em jejum, deite-se em savasana no seu mat
por alguns instantes. Logo em seguida comece os asanas preparatórios, chamados
de pawanmuktasana.
Pawan significa vento. Mukta significa
liberar. Então, a sequência Pawanmuktasana serve para liberar o fluxo de
energia, desfazer os bloqueios prânicos, musculares, mentais e emocionais. Importante, né?
É uma prática bastante segura e pode ser realizada por
qualquer pessoa. Ativa cada articulação do corpo, melhorando sua mobilidade e
força, e retira o excesso de rigidez muscular.
Gosto de imaginar que estou acordando cada pedacinho do meu
corpo, movimentando gentilmente, de forma ampla e de acordo com o ritmo da
respiração. É uma forma excelente de começar o dia, assim nos preparamos antes
de expor o corpo às tensões e exigências diárias.
Se buscarmos na internet, existem várias técnicas, imagens e
vídeos ensinando pawanmuktasana, com tipos e variações quase infinitas. O que
eu faço é, basicamente, me sentar com as pernas esticadas à frente (dandasana)
e dobrar e esticar dedos dos pés, tornozelos, joelhos, cotovelos... girar os
tornozelos, os ombros, os punhos, o
pescoço... movimentar o quadril... realizar suaves torções lombares...
Começando de baixo até terminar no pescoço.
Swami Satyananda dizia que Pawanmuktasana é de grande valor
para compreender o significado dos asanas pelo desenvolvimento da consciência dos
movimentos corporais e efeitos sutis que eles têm nos vários níveis do ser. “A
natureza desses asanas é mais mental do que física. Se realizadas corretamente,
relaxam a mente, regulam os nervos autômatos, funções hormonais e atividades
dos órgãos internos. Portanto, esses asanas são de grande valor curativo e
preventivo”.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Nossos pés são estruturas complexas, formados por 28 ossos e
quatro camadas de musculatura. É fácil perceber a sua importância quando nos
machucamos: basta uma cutícula mal tirada ou uma bolha para interferir em toda
a nossa mobilidade e postura.
Os exercícios de yoga são praticados com os pés descalços
para a restauração da força e da flexibilidade dos músculos dos pés, já que, no
mundo atual, as superfícies acidentadas, para as quais eles foram
desenvolvidos, foram substituídas por vias niveladas e pavimentadas.
Tadasana, a postura da montanha, é uma postura básica e
ponto de partida para outros ásanas.
Interessante notar que o ser humano é o único exclusivamente
capaz de executar esta posição, uma vez que somos os únicos mamíferos bípedes
sobre a face da terra. No entanto, somos as criaturas menos estáveis, pois
nossa base de apoio é menor, nosso centro de gravidade, o maior, e o cérebro
mais pesado para se equilibrar sobre o resto do corpo.
Para construir esse ásana fique em pé, com a parte interna
dos pés se tocando ou na largura do quadril. Joelhos e cotovelos estendidos (não hiperestendidos),
antebraços voltados para dentro com as palmas das mãos viradas para a coxa (não
tocando). Atente para o relaxamento dos ombros e a abertura da caixa torácica,
“unindo” as escápulas. Alongue a coluna e traga o queixo levemente para dentro,
a fim de alongar a parte de trás do pescoço. Uma leve contração abdominal ajuda
a aliviar a curvatura lombar.
Observe o contato dos pés com o solo. Você deve sentir o
apoio das bordas internas e externas, dos dedos e do calcanhar, o peso deve
estar harmoniosamente distribuído. Sinta a firmeza e a estabilidade da posição,
como uma montanha. Ao mesmo tempo, sinta a expansão para o alto, como se uma
força puxasse o topo da sua cabeça. Crie espaço entre cada vértebra e amplie
sua caixa torácica.
Para trabalhar o seu equilíbrio, mantenha a postura estável
com os olhos fechados ou eleve os braços acima da cabeça com as palmas das mãos
voltadas uma para a outra e tire o calcanhar do chão.
É uma pose excelente para melhorar a postura, a distribuição
adequada do peso do corpo sobre os pés, e para gerar a sensação de força e
estabilidade.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
O livro da autora e professora de
yoga Tara Fraser (editora Publifolha) é uma ótima opção de primeira leitura
sobre o assunto. Curtinho, dá para ser lido em um dia só.
Achei-o extremamente bem escrito:
fácil de entender, simples e completo. O livro aborda todos os principais
assuntos sobre o yoga: o que é, origem, os diferentes estilos, os “cinco corpos”,
os chakras, ayurveda com os doshas resumidos, iamas e niamas, alguns mudras e
pranayamas e os ásanas bem básicos com fotos e explicações de como fazer e para
que servem.
Dicas do livro para quem vai
começar a praticar em casa (e o que é sempre bom lembrar, mesmo para veteranos):
·
“Escolha posturas que pareçam adequadas ao seu
estado de espírito e nível de energia. Sempre que praticar, comece com poses
mais suaves e depois passe para as mais fortes.
·
Respire uniformemente e lentamente pelo nariz
durante as posturas. Procure erguer ou estender o corpo ao inspirar; use cada
expiração para encontrar estabilidade, equilíbrio e tranquilidade.
·
Nunca comece nem encerre uma postura com pressa –
procure tomar consciência de cada fase dela e demore o quanto precisar para se mover
suave mas decididamente para a fase seguinte.
·
Nunca force uma postura; se doer, pare.
·
Enquanto pratica, observe se há pontos de tensão
desnecessária no corpo – principalmente no rosto, nas mãos, nos pés e no
quadril.
·
Não se acostume a praticar diante do espelho.
Foque em como se sente na postura, não em sua aparência. Tente tirar do olho da
mente qualquer imagem de “perfeição”.
·
Patañjali, autor dos Sutras da ioga, ensinou que as posturas deviam ser tanto sthira (firmes) quanto sukha (cômodas). Tente fazer isso!”
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
A palavra yoga é um substantivo
masculino de origem sânscrita. O sânscrito, língua da família indo-europeia,
floresceu na Índia antiga, a partir provavelmente do século XX a.C. – época do
sânscrito védico, registrado nos quatro livros mais antigos da cultura
sânscrita, os Vedas – e em todos os séculos seguintes.
O sânscrito que conhecemos
atualmente é aquele que nos chegou através de um grande volume de textos
acumulados pela cultura ao longo dos séculos, e representa a norma culta da
língua falada pelos povos que se auto-intitulavam arya, na Índia antiga. A
palavra samskrta significa exatamente “bem feito”, “acabado”, em oposição à
designação dada aos linguajares populares, que eram prakrta (“prácritos”) –
estes, por sinal, os que viriam a se tornar as várias línguas do norte da
Índia.
Em sânscrito foram compostos os
grandes poemas épicos, o Mahabharata e o Ramayana, num registro que se
convenciona chamar de “sânscrito épico”. Também está registrada em sânscrito
toda a literatura sagrada do Hinduísmo. Isto ocorreu porque, como
língua-símbolo de toda uma cultura, o sânscrito continuou a ser falado nas
cortes e nos círculos eruditos, e redigido nos círculos literários em toda a Índia,
ao longo dos séculos, não obstante a crescente multiplicação das línguas e
diletos falados pelas massas.
A origem da prática denominada
yoga parece perder-se na noite dos tempos. Um sinete de barro cozido encontrado
nas escavações arqueológicas no Vale do rio Indo – no atual Paquistão -, no
início deste século, apresenta uma curiosa figura sentada em padmasana, a
“postura de lótus” característica do yoga, trajando uma pele de tigre e cercada
por animais. O sinete (manufaturado talvez por volta de 3.000 a.C.) apresenta
notável semelhança com as representações do deus Siva, arquétipo do yogin
(praticante de yoga), e considerado até hoje a divindade tutelar do yoga.
Desde que os centros dessa
civilização foram primeiramente encontrados ao longo do rio Indo, alguns
arqueólogos lhe dão o nome de civilização do Vale do Indo; outros chamam-lhe
Cultura Harapânica. Tenha o nome que tiver, floresceu durante mil anos, de
cerca de 2500 a cerca de 1500 a.C., e em seguida desapareceu misteriosamente.
Entre o apogeu desta civilização
e a irrupção do povo arya há um misterioso lapso que os historiadores,
arqueólogos e linguistas ainda tentam reconstruir. Ao que parece, a cultura do
Indo foi subjugada e vencida por um povo invasor que se autodenominava arya e
que falava uma língua do ramo indo-europeu que, séculos mais tarde nas terras
invadidas, iria se tornar o sânscrito. Os arya não deixaram cidades, nem
estátuas, nem sinetes de pedra, nem panelas, tijolos ou cemitérios que os
cientistas possam escavar, classificar e interpretar. O que deixaram, porém,
foi um dos mais extraordinários corpos de literatura do mundo. Estamos nos
referindo a uma coletânea de quatro livros de hinos litúrgicos da classe
sacerdotal do povo arya, intitulados os quatro Veda (Rgveda, Samaveda, Atharvaveda
e Yajurveda).
O “período védico” inicia-se por
volta de XX-XV a.C. e vai até a fase de transição representada pelos textos das
primeiras Upanishad, e que culminará nas figuras de Buddha e Mahavira (ambos,
circa VI a.C.).
Somente no período seguinte,
denominado “período épico-bramânico” (circa VIII a.C. – II d.C.), que
encontraremos referências explícitas e sistemáticas às práticas do yoga; aliás,
este é o período no qual vamos encontrar o texto Yogasutra.
O fato de que as práticas do yoga
tenham sido abundantemente citadas e descritas somente na literatura da cultura
sânscrita posterior ao período védico e de que, ao mesmo tempo, também não
constem elas em nenhuma outra literatura do mundo indo-europeu, tem sido
indicadores aos estudiosos desta cultura de que realmente o yoga não foi uma
contribuição indo-europeia trazida pelo povo arya, senão um sistema de origem
autóctone, já existente entre os povos da região, e que foi paulatinamente
assimilado e absorvido pelos conquistadores.
Para saber mais, indico o
riquíssimo estudo de Lilian Cristina Gulmini: “O Yogasutra de Patanjali –
Tradução e análise da obra, à luz de seus fundamentos contextuais,
intertextuais e linguísticos”.
Quando eu disse que voltaríamos
ao comecinho era bem comecinho mesmo, né?
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Voltando ao básico.
A palavra Yoga vem da palavra em
sânscrito “yuj”, que significa juntar ou unir. De forma simplista, podemos
dizer que isso implica a integração de todos os aspectos do indivíduo – corpo
com mente e mente com alma – para atingir uma vida feliz, equilibrada e útil,
e, espiritualmente, unindo o individual com o supremo.
Os textos hindus que discutem
aspectos do yoga incluem principalmente os Upanishads,
o Bhagavad Guita,
o Hatha Yoga Pradipika e o Yoga
Sutra. Neles encontramos as seguintes definições:
No Bhagavad Guita:
"É dito que Yoga é equanimidade da mente" (II, 48), "Yoga é a
excelência nas ações" (II, 50).
Comentários de Vyasa aos Sutras
de Patanjali: "Yoga é Samadhi". (I, 1)
Nos Upanishads:
"Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no
fogo do Yoga. Atividade, saúde, libertação dos condicionamentos, circunspecção,
eloquência, cheiro agradável e pouca secreção, são os sinais pelos quais o Yoga
manifesta seu poder." Upanishad Shvetashvatara (II:12-13).
"A unidade da respiração, da
consciência e dos sentidos, seguida pela aniquilação de todas as condições da
existência: isso é o Yoga." Upanishad Maitri, VI:25
"Quando os cinco sentidos e
a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, então começa o
caminho supremo. Essa firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve-se
estar atento, pois o Yoga vem e vai." Upanishad Katha, VI
Vamos usar a definição de que se
trata de uma prática de posturas e exercícios que visa à saúde do corpo físico
como caminho para a melhora do estado mental e emocional, levando, por fim, ao
bem-estar espiritual.
Nesta minha volta ao blog, às práticas e aos estudos, te
convido a avançar aos poucos, desde o comecinho. O caminho é longo e não
precisamos ter pressa.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Saudades. Estou voltando.
"Cada alma tem o direito de escolher o seu próprio caminho, e de procurar Deus à sua própria maneira."
Swami Vivekananda
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Yoga estampa a capa da 'Isto É' desta semana. Mais evidências científicas têm sido descobertas sobre os benefícios da prática na saúde.
O congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica deste ano trouxe uma novidade: "Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center – uma das principais instituições do planeta para o tratamento da doença – apresentarão um trabalho no qual relatam como a ioga ajuda a tratar o câncer". "A apresentação de uma pesquisa sobre ioga em um evento mundial no qual a tônica, historicamente, sempre foi a divulgação de novidades que giram em torno da medicina tradicional – novos remédios ou aparelhos, por exemplo – é emblemática. O fato é a evidência mais concreta de que a medicina ocidental está incluindo a ioga na sua lista de recursos contra as doenças. (...) Depois de desembarcar no Ocidente como mais uma excentricidade do Oriente, a prática hoje ganhou o respeito da ciência e recebeu o direito de entrar pela porta da frente em alguns dos mais renomados serviços de saúde do planeta. O método figura entre as terapias complementares disponíveis no MD Anderson, no Massachusetts General Hospital, em Boston, e no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, por exemplo. (...) No Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, um dos mais importantes da rede privada do País, prepara-se para oferecer a prática como mais uma opção de seu departamento de terapias complementares. No Hospital A. C. Camargo, também na capital paulista e especializado no atendimento a pacientes com câncer, aulas de ioga começaram a ser adotadas recentemente".
Fiquei muito feliz com a notícia. Torcendo para mais pessoas conhecerem a Yoga e se beneficiarem com o equilíbrio e com a saúde que ela proporciona.
Mais uma vez reforço aqui no blog que a Yoga nasceu na Índia, berço também do hinduismo, e dadas as referências culturais, foi atrelada a mitologia hindu, mas não tem nenhuma ligação com a religião. Todo o misticismo que algumas pessoas atribuem a Yoga deve-se ao fato de ser uma filosofia surgida há cinco mil anos, uma tradição passada oralmente de mestre a aprendiz, cercada de segredos e mistérios, mas que hoje tem base científica. E como podemos ver nesta publicação, com eficácia cada vez mais pesquisada e comprovada.
Liberte-se de preconceitos.
Para ler a matéria na íntegra: http://www.istoe.com.br/reportagens/140391_TODO+O+PODER+DA+IOGA
Namastê!
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